Portugal e China deviam ter "cimeiras regulares"

Portugal devia ter um "acordo de entendimento estratégico" com a China, idêntico ao que une Pequim a Berlim, com cimeiras regulares entre os dois governos, defende o presidente da Câmara de Comercio e Industria Luso-chinesa, João Marques da Cruz.
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"Uma dezena de membros do Governo português estiveram na China neste último ano e meio, em visitas um pouco 'ad-hoc'. O que falta é um acordo inter-governamental, como tem a Alemanha, e que será uma maneira de Portugal se afirmar como parceiro estrutural da China", disse Marques da Cruz, em entrevista à agência Lusa em Pequim.

"O Governo português deve propor à China um relacionamento deste género, e deve propô-lo agora. Há vários países europeus nesta corrida", acrescentou.

A Alemanha e a China instituíram em 2011 um mecanismo de "consultas inter-governamentais", que reúne uma vez por ano, em Berlim ou em Pequim, alternadamente.

Na primeira entrevista desde que assumiu a presidência da Câmara de Comercio e Industria Luso-Chinesa (CCIL-C), há cerca de um ano, Marques da Cruz defendeu também que "um Portugal forte em relações extra-europeias torna-se mais forte dentro da própria Europa".

"O século XXI vai ser o século da Ásia, e da China em particular", salientou.

Atual administrador executivo da EDP, formado em Economia, João Marques da Cruz quer igualmente "transformar a CCIL-C numa verdadeira plataforma entre as empresas dos dois países" e num "interlocutor dos dois governos para projetos comerciais e de investimento".

"Estamos a trabalhar com o AICEP sobre a possibilidade de a CCIL-C emitir certificados de origem dos produtos, o que facilitaria as exportações", exemplificou.

Criada em 1978, um ano antes do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, a CCIL-C tem hoje cerca de 200 sócios.

"Tradicionalmente, a Câmara era só uma associação das empresas portuguesas que queriam fazer negócios na China, mas a nossa aposta é atrair também grandes empresas chinesas", disse Marques da Cruz.

A China Three Gorges, que se tornou o ano passado o maior acionista da EDP, já é sócia e o Bank of China e a China State Grid poderão vir a entrar ainda este no, indicou o presidente da CCIL-C.

E a CCIL-C, que já tem uma delegação em Macau, espera também abrir um escritório permanente na capital da China.

"A abertura de uma delegação em Pequim é algo de essencial e está no nosso plano para o mandato, que é de três anos", disse o presidente da CCIL-C.

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